quinta-feira, 14 de julho de 2016

Marina

MARINA
- Oi, Carlos!
CARLOS
- Oi, Marina, tudo bem?
MARINA
- Tudo. Você pode conversar um pouco?
CARLOS
- Claro. Diga.
MARINA
- Bom, não sei muito como começar...
CARLOS
- Vai pelo começo, é a melhor maneira.
MARINA
(risos) - Você sabe que eu tenho conversado muito com a Clara sobre a literatura hot, né?
CARLOS
- Sim, ela me contou. Parece que a conversa tem sido muito boa.
MARINA
- É, a gente se identificou com uma porção coisas.
CARLOS
- É uma literatura quente mesmo, inflamável.
MARINA
- Você também gosta de ler esse tipo de literatura?
CARLOS
- Não, eu não li muita coisa do gênero.
MARINA
- Ah, então você não leu os livros realmente hot.
CARLOS
- Li pouco, você tem razão, preciso rever meus conceitos
MARINA
- Tem alguns de tirar o fôlego (rs)
CARLOS
- entendo... então?
MARINA
- Ah, Carlos, os livros aumentaram a identificação entre eu e a Clara. Fomos aprendendo a conversar sobre eles ... essa conversa foi ficando cada vez mais gostosa e reveladora, não sei se você está me acompanhando..
CARLOS
- Eu estou acompanhando, sim. Fiquei quieto para você escrever. A Clarinha me falou empolgada sobre isso. Começaram a rolar uns papos de fantasias, né?
MARINA
- Isso. Acho que foi porque, depois de muito tempo, nos encontramos pessoalmente e aproveitamos para botar a fofoca em dia. E a conversa dos livros evoluiu (rs)... Eu queria consultar você sem que a Clara soubesse.
CARLOS
- Tá, vamos ver se ajudo.
MARINA
- Então... a Clara é uma amiga muito especial e as nossas conversas foram parar em um universo tão excitante que precisamos dar um tempo para colocar as cabeças no lugar (risos)... E é disso que eu queria falar com você
CARLOS
- A Clara me falou a mesma coisa.
MARINA
- Você não fica incomodado?
CARLOS
- Não fico. Só não sei muito como opinar.
MARINA
- O Léo também sente esse estranhamento. Mas ele é mais quadrado que você.
CARLOS
- Não sei se eu sou tudo isso, mas a gente tenta...
MARINA
- Ela falou até que vocês já discutiram visitar um clube de swing pra ver e conhecer... CARLOS
- É verdade
MARINA
O Leo é muito cheio de grilos... Tem grilo até com brinquedinhos eróticos.
CARLOS
- Tem homens que se incomodam com a “concorrência” dos brinquedinhos
MARINA
- Você não, né?
CARLOS
- Não, mas você já sabe disso, porque a Clarinha já deve ter falado.
MARINA
- Sabe, Carlos, eu fiquei surpresa em saber que você gostava dessas brincadeiras... surpresa mesmo. Mudei meu conceito a seu respeito.
CARLOS
- Obrigado. Então, o que você precisa conversar comigo?
MARINA
- É que... bom... ah, você ficaria grilado se eu e o Leo convidássemos a Clara para sair a três?
CARLOS
- Upa! Agora quem ficou surpreso fui eu.
MARINA
(risos)... o Leo tem um lado safadinho... e eu acho que a Clara enturmaria com uma proposta dessas.
CARLOS
- Eu e a Clara já conversamos muito sobre isso. Mas tudo é muito difícil, dá medo... e se rolar ciúme depois? Como é que a gente fica? Essas coisas a gente tem se perguntado muito.
MARINA
- Ela me contou dessas dúvidas, e eu tenho também... o Leo nem consegue discutir isso, apesar de aceitar a idéia de transar a três, comigo e uma mulher.
CARLOS
- Fico meio dividido com essa conversa com você...
MARINA
- Como assim?
CARLOS
- É difícil explicar...
MARINA
- Ah, Carlos, pare com isso e fale logo... você está excitado, é isso? Pode falar, eu estou longe (risos)...não vou atacar você... pelo menos não por enquanto
CARLOS
- Eu fico feliz em saber que você se interessa por mim, mas acho que não é bem o caso...
MARINA
- Como assim? ... Carlos, você não vai me dizer que é viado...
CARLOS
(risos) De jeito nenhum... Não sou gay...
MARINA
- Então...
(silêncio)
MARINA
- Hei, dormiu (risos)
CARLOS
- Desculpe, estava ao telefone. Era o Leo.
MARINA
- O Leo? O meu Leo?
CARLOS
- Isso, o seu marido, o Leo.
MARINA
- Aconteceu alguma coisa?
(silêncio)
- Carlos, você ainda está aí?
- Carlos?
CARLOS
- Oi, Ma, é o Leo.
MARINA
- Leo? O que você está fazendo aí?
CARLOS
- Ma, era eu o tempo todo...
MARINA
- COMO ASSIM???
CARLOS
- Normalmente, quando falo que estava ao telefone com o Leo você sai do surto e retorna à realidade.
MARINA
- NÃO ESTOU ENTENDENDO.
CARLOS
- Má, o Carlos morreu... Faz mais de um ano... ele se matou...
MARINA
- Não faz isso comigo...
CARLOS
- Má, nós fomos juntos ao motel, eu, você, a Clara e o Leo, mas ele não aguentou a barra, saiu de carro e se atirou do penhasco na serrinha de São Sebastião...
MARINA
- Mas...
CARLOS
- Vem pra sala, vem... vamos conversar pessoalmente... a Clara também está aqui...

(FIM)



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